Diante dos problemas que cercam o meio ambiente — como degradação dos recursos naturais, crise energética, efeito estufa e aquecimento global —, os seres humanos se viram responsáveis pela situação e começaram a pensar em soluções para reduzir os impactos causados ao ecossistema.

Investir na construção de uma casa sustentável foi uma das saídas encontradas por pesquisadores da área. Você sabia que esse tipo de alternativa não é tão recente assim? Na década de 1970, depois da Crise do Petróleo, a tendência de projetos ambientalmente sustentáveis começou a crescer.

Nos anos 1990, o conceito ganhou ainda mais força e chamou a atenção de órgãos internacionais — que passaram a buscar mudanças nas construções civis. Foi nessa mesma década que o Reino Unido criou a BREEAM, que significa Método de Avaliação Ambiental do Building Research Establishment (BRE).

Essa entidade passou a certificar os imóveis com selos de responsabilidade sustentável. Atualmente, é possível encontrar muitos projetos que visam reduzir os impactos ao meio ambiente. Apesar disso, os profissionais da área ainda consideram o conceito de casa sustentável relativamente novo e buscam aumentar o número dessas construções.

Preparamos este guia para explicar os motivos pelos quais é interessante investir em uma casa sustentável, apresentar quais são os materiais mais usados nesse tipo de construção, as principais características do imóvel e os benefícios que esse investimento pode trazer para o meio ambiente e para os moradores. Acompanhe!

1. Por que construir de forma sustentável?

Você sabia que a área de construção civil é uma das principais responsáveis pelo que está acontecendo com o ecossistema? Segundo os dados do Conselho Brasileiro de construção Sustentável, o setor consome 20% da água nas cidades, 75% dos recursos naturais e gera cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos por ano.

São dados assustadores, concorda? Os impactos a natureza se intensificaram desde a Revolução Industrial e, nos dias de hoje, a situação está ainda pior: com o aumento da população e do consumo exacerbado, o meio ambiente é quem sofre as consequências.

É importante saber que essa situação preocupante não interfere apenas no ecossistema, mas gera problemas culturais e econômicos presentes na atualidade, como as guerras pelo petróleo. Tudo isso fez com que o conceito de construção ecologicamente correta tomasse uma proporção maior nos últimos anos.

Diante dessa nova percepção, cada vez mais pessoas pensam em investir em casas sustentáveis. Como o mercado está em crescimento, os arquitetos, engenheiros e demais profissionais da área estão buscando especializações no setor.

Muitas empresas de construção já estão buscando melhorar a interação entre as pessoas e o meio ambiente. Atualmente, o foco é criar projetos pensando sempre no melhor para o ecossistema e para um bom convívio do morador com a natureza.

Construir pensando de forma sustentável é importante para aproveitar os recursos renováveis e, ainda, economizar no custo de energia elétrica e de consumo de água. Portanto, a natureza e o seu bolso saem ganhando.  

Agora que você já sabe a importância de investir em um projeto de casa sustentável, é interessante entender o conceito desse modelo de construção. Veja!

O que é uma construção sustentável?

O Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Arquitetura (IBDA) considera que uma casa sustentável deve ser feita sem causar grandes prejuízos ao meio ambiente. Para isso, é preciso aplicar desenvolvimento tecnológico, poupar as fontes de energia e diminuir os resíduos gerados pela obra.

Claro, também são levados em conta a estética do imóvel e alguns outros fatores que sejam importantes para os moradores da casa. Uma casa sustentável tem como prioridade aperfeiçoar os recursos para reduzir consideravelmente os impactos ao ecossistema — o que é diferente das outras construções convencionais.

O projeto é pensado com intuito de proporcionar, por exemplo, a instalação de um sistema fotovoltaico para obter energia elétrica, fazer uso racional da água e aproveitar ao máximo a luz solar no ambiente.

2. Quais são os principais materiais utilizados em uma casa sustentável?

Se você tem o desejo de construir uma casa sustentável, sua primeira atitude deve ser buscar profissionais da área — eles devem ser especializados nesse tipo de projeto. Como o mercado está aquecido, você não terá dificuldades em encontrar arquitetos, engenheiros ou empresas que prestem esse tipo de serviço.

Um bom profissional começa fazendo o levantamento da geografia e da topografia da área em que será construída sua casa sustentável. Além disso, ele também deve pesquisar sobre as condições climáticas do local onde a construção será feita.

Após todo o levantamento inicial, o responsável pela obra começa a elaborar o seu projeto. A partir disso, ele pensa em técnicas de construção, mecanismos que favorecem o uso de alternativas sustentáveis — como a energia solar fotovoltaica. Por último, ele seleciona os materiais adequados e ecologicamente corretos.

Cada construção demanda tipos de materiais diferentes. Existem diversos produtos que já são reciclados ou provenientes de fontes limpas, renováveis ou recicláveis. Confira alguns deles!

2.1 Madeira

O primeiro ponto a se levar em consideração na hora de comprar a madeira é saber se ela tem o selo de procedência que mostra que ela é um material reaproveitado de outros lugares — como os chamados pallets.

A madeira plástica também é uma opção interessante para aqueles que desejam construir uma casa sustentável. Se você duvida da resistência desse material, fique tranquilo. Ele é altamente seguro, feito com restos de madeiras e plásticos reciclados.

Ela pode ser usada como revestimento e piso. Suas grandes vantagens são: baixa necessidade de manutenção e alta imunidade a pragas, como o cupim.

2.2 Bambu

O bambu é um material muito usado nas construções sustentáveis, sendo considerado o “queridinho” dos profissionais e investidores do setor. Isso acontece em razão da sua resistência, leveza, flexibilidade e abundância.

Na Indonésia, por exemplo, os moradores sofriam com as enchentes que atingiam seus imóveis. Foi então que arquitetos da área criaram um excelente projeto de casas de bambu. Elas se tornaram resistente às chuvas, pois conseguiam flutuar sobre a água. A estrutura é de baixo custo e feita com âncoras, conexões sólidas, bambus e amarras.

2.3 Tijolos ecológicos

No mercado já é possível encontrar diversos modelos feitos com materiais orgânicos, sobras de materiais de construção, terra, argila e até mesmo lã. Os tijolos ecológicos são excelentes isolantes acústicos e térmicos.

2.4 Bloco de adobe

Esse material também é muito usado em construções sustentáveis. Feitos com água, areia, argila, fibras e palhas, os blocos de adobe são uma ótima alternativa para deixar sua casa sustentável resistente ao tempo e ao clima.

2.5 Telhas ecológicas

É possível encontrar vários modelos de telhas ecológicas no mercado, mas a principal delas é a confeccionada com fibras. Elas podem ser feitas com fibras de madeira, como eucalipto e pinho, misturadas com não-madeiras: bananeiras, coco e sisal. Outra maneira de produzir esse item se dá com materiais como asfalto, papel e resina.

2.6 Concreto verde

Também conhecido como concreto reciclado, esse material sustentável é feito a partir da reutilização da sobra de obras — tijolo, cimento e telha. Outros materiais recicláveis podem ser usados, como casca de arroz, bagaço de cana e borracha de pneu usado.

O benefício do concreto verde é que os itens utilizados na sua produção o tornam mais resistente. Além disso, com esse material é possível fazer uma economia de cerca de 20% — referente ao custo do cimento. Para saber qual material é melhor para a sua casa sustentável, consulte o profissional responsável pelo seu projeto!

3. Quais são as principais características de uma casa sustentável?

Esse modelo de construção visa, durante todo o processo — desde a planta até a pós-construção —, reduzir os danos ao ecossistema. Dentre as características principais de uma casa sustentável, vale ressaltar:

  • a responsabilidade para com o meio ambiente;
  • a prática de conceitos sustentabilidade;
  • qualidade de vida para os moradores;
  • reaproveitamento de materiais recicláveis;
  • projetos capazes de tornar o imóvel energeticamente autossuficiente;
  • estética inteligente.

Para que o imóvel apresente as características de uma casa sustentável, algumas práticas são essenciais. Confira!

3.1 Uso racional de água

Você está ciente dos problemas ambientais ligados à escassez de água no mundo, não é mesmo? Por isso, uma casa sustentável não pode deixar de fazer uso racional desse bem tão precioso. Para economizar água, instale chuveiros e torneiras que tenham temporizador — assim você evita desperdícios.

Outro projeto possível de ser feito é aproveitar a água vinda da chuva para fazer a coleta por meio de tubulações. Essa água ficará armazenada em uma espécie de tanque que abastecerá o imóvel, podendo ser utilizado nos vasos sanitários, nas máquinas de lavar e nos canteiros do jardim.

Essas medidas servem para ajudar o meio ambiente e ajudam você a poupar dinheiro. Já pensou quanto você poderá economizar nas contas de água todos os meses? 

3.2 Ampla utilização da luz natural

Invista em entrada de luz solar no seu imóvel. Quanto maiores forem as janelas, vidraças e portas de vidros, mais iluminada e arejada sua casa será — o que deixa o ambiente com efeito estético mais agradável.

A casa que permite a entrada do sol tem seu espaço mais valorizado, pois os moradores se sentem mais confortáveis e têm a impressão de que o cômodo é mais amplo. Se o imóvel não tiver uma boa iluminação natural, os frequentadores terão a sensação de abafamento.

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A falta de luz natural também afeta a saúde de quem convive na casa pela da associação do cérebro humano com as atividades vitais do organismo. Ou seja, quando os indivíduos não têm contato com a luz do sol, o nível de estresse aumenta.

Em casos mais graves, a pessoa pode desenvolver crises de ansiedade e até mesmo depressão. Além de ajudar os moradores a manter o equilíbrio emocional, um ambiente iluminado ajuda a manter a saúde dos olhos — em contato apenas com a luz artificial, como TV, notebooks e lâmpadas, as pessoas podem desenvolver problemas de visão.

A luz natural também ajuda a reduzir a pressão arterial e fomenta a produção de vitamina D, essencial para fortalecer os ossos. Estética agradável e bem-estar dos frequentadores da casa não são as únicas vantagens dos ambientes iluminados pelo sol.

O uso da luz natural também proporcionará economia, pois você não precisará acender as lâmpadas durante o dia. Assim, as contas de luz serão reduzidas.

3.3 Sistema aquecimento e refrigeração não poluente

Instalar um sistema fotovoltaico é uma alternativa sustentável e altamente vantajosa. Por meio dos painéis solares é possível transformar os raios de sol em energia elétrica e abastecer todos os aparelhos eletrodomésticos. A vantagem é que o astro é uma fonte alternativa limpa e infinita — ou seja, não causa impactos ao meio ambiente.

Fazendo uso da energia solar fotovoltaica você pode economizar até 95% nas contas de luz. Não é a toa que este mercado está em crescimento acelerado (falaremos mais sobre ele no tópico 5).

Para deixar sua casa sustentável com o toque sofisticado e ainda refrescar o ambiente, faça jardins verticais. Os vasos para compor o ambiente podem ser feitos de objetos reciclados. Assim, o espaço fica esteticamente agradável e reduz o impacto à natureza.

Outra forma de deixar seu imóvel mais fresco é manter grama e arborização no local. Com isso, a economia com ar-condicionado é certa.

4. Quais são as vantagens de uma casa sustentável?

Ao longo deste guia já deu para perceber algumas vantagens de investir em uma construção sustentável, não é mesmo? Abaixo citaremos outros três importantes fatores que colaboram para o crescimento no número de casas ecologicamente corretas.

4.1 Qualidade de vida

Nada melhor do que ter qualidade de vida, concorda? Essa é uma das principais características que levam as pessoas a desejar uma casa ecológica. Afinal, os moradores que convivem no imóvel com essas características estão em um ambiente residencial mais saudável.

A partir do momento que você vive em um espaço mais agradável, passa a ter posturas e hábitos mais saudáveis. Tudo isso interfere diretamente no seu humor, na sua produtividade e na sua saúde.

4.2 Menor desperdício de materiais

Você sabia que não é preciso gastar tanto dinheiro com a compra de materiais de construção? Com o novo conceito de construção ecológica, basta investir em produtos recicláveis ou provenientes de fontes renováveis e infinitas.

Além disso, se compararmos o tempo de obra de um imóvel convencional e de uma casa sustentável, o espaço ecologicamente correto sai na frente, pois a mão de obra será mais barata e o tempo de trabalho é menor.

4.3 Retorno financeiro

Quando pensamos nos benefícios, o retorno financeiro, seja a médio ou longo prazo, é um dos fatores que mais chamam atenção de quem pensa em investir nesse mercado. Muitos se perguntam se a opção de construir uma casa sustentável não é mais cara, pois os recursos usados ainda não são tão comercializados como os tradicionais.

É importante saber que o investimento feito nos produtos pensados com foco em reduzir os impactos ao meio ambiente retornam para o bolso do dono do imóvel, pois uma casa sustentável é sinônimo de economia.

5. Como economizar dinheiro com uma casa sustentável?

Diferentemente do que muitos pensam, construir uma casa sustentável nem sempre é mais caro que o investimento feito em uma residência tradicional. A diferença é que as construções convencionais são mais acessíveis por serem mais comuns e já terem um mercado muito bem estabelecido.

Porém, os imóveis sustentáveis estão ganhando cada vez mais espaço, pois são econômicos. Vale a pena dar uma conferida e comparar os prós e contras de cada tipo de projeto. Pense no quanto você poderá economizar investindo em uma construção ecologicamente correta.

Nela será possível diminuir os gastos fazendo uso racional da água, instalando um sistema fotovoltaico para geração da sua própria energia elétrica, fazendo aberturas para entrada da luz natural e construindo jardins para ventilação do imóvel.

Dentre todas essas formas de economizar, resolvemos destacar o sistema fotovoltaico. É importante entender como o mercado de energia solar vem crescendo e como ele pode ser um grande aliado na hora de reduzir os gastos. Veja!

Mercado de energia solar

O ano de 2017 foi histórico para o mercado de energia solar no Brasil. De acordo com os dados oficiais divulgados pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o país, que possui um alto nível de irradiação em seu território, alcançou a marca de 1,1 GW de potência instalada.

Com esse número, o Brasil passou a fazer parte do Clube Gigawhatt. Isso significa que ele está entre os 30 países que mais implantaram energia solar no ano passado. Foi possível chegar a esse patamar graças ao desenvolvimento tecnológico no setor, às políticas de incentivo governamentais, aos consórcios e às linhas de financiamento.

Segundo a pesquisa realizada pela International Renewable Energy Agency (IRENA), caso o Brasil mantenha o crescimento constante no segmento, é possível que até no fim de 2018 o país se classifique entre as 20 maiores potências em produção de energia solar. Para os próximos anos, a expectativa é que o número de projetos só aumente.

É esperado que, por volta de 2021, o Brasil consiga ultrapassar os 5 GW. Assim, ele pode se classificar entre os 10 países que mais implantam energia solar no mundo. Se esse levantamento estiver correto, o mercado poderá movimentar aproximadamente R$ 15 bilhões em novos investimentos.

Geração de energia solar

Como podemos observar, o mercado cresceu e, com isso, o preço dos sistemas fotovoltaicos ficou mais acessível à população — o que favoreceu tanto os empresários, quanto os que desejam economizar nas contas de luz.

Nas residências a categoria on-grid é a mais usada. Nesse modelo, as placas solares fotovoltaicas, compostas por células com material semicondutor, como o Silício (Si), são responsáveis por captar os raios solares e transformá-los em energia.

Essa produção é enviada para o inversor fotovoltaico, que transforma corrente alternada (CA) em corrente contínua (CC), que é a energia usada para abastecer todo o sistema elétrico da casa. O excedente gerado é enviado para a distribuidora local e convertido em créditos.

Agora que você já entendeu como funciona o sistema fotovoltaico, vejamos o quanto você pode economizar com a instalação dele na sua casa sustentável.

Economia com energia solar

Cada projeto tem um custo. Tudo vai dependerá do tamanho do imóvel e da quantidade de energia que precisará ser gerada no local. Caso sua casa precise de um projeto que custe R$ 30.000, é preciso fazer as contas para saber se compensa. Vamos calcular?

Suponhamos que você e as pessoas que vivem no seu imóvel consomem, em média, 600 kWh todo mês. Imaginemos que 1 kWh custa R$ 0,70 e que, a cada 100 kWh, a taxa é de R$ 1,50. Calculando, a conta de energia custará R$ 429 (600 x 0,70 = R$ 420 +  1,50 x 6 = R$ 9).

A partir da instalação de um sistema fotovoltaico, será possível economizar até 95% nas contas de energia todos os meses durante 40 anos — que é o tempo de vida útil de um painel solar. Se colocarmos no papel, é possível ver que, em vez de pagar R$ 429, você pagará apenas R$ 21,45. Uma economia e tanto!

Se pensarmos no valor do investimento com desconto de R$ 407,55 (R$ 429 – R$ 21,45) por mês, em um ano sua economia será de R$ 4.890,60. Em 7 anos o dinheiro investido retorna para o seu bolso, o que chamamos de payback. Com o sistema fotovoltaico, é possível ter seu capital de volta e, ainda, economizar por mais 35 anos.

Ainda pensando na economia, é importante ressaltar que a manutenção de uma casa ecológica é menor, pois os materiais utilizados têm maior durabilidade.

Além disso, os imóveis construídos pensando no meio ambiente são mais valorizados do que as residências tradicionais. De acordo com a pesquisa da ONG Green Building Council (GBC), um imóvel ecologicamente correto com sistema fotovoltaico pode ser até 30% mais valorizado.

Este guia teve o objetivo de apresentar as vantagens de se construir uma casa sustentável. Com base em dados, mostramos o crescimento do setor no território brasileiro e como isso afeta as mudanças de hábitos da população — que está mais preocupada com os problemas ambientais.

O grande desafio é conseguir manter o desenvolvimento na área pelos próximos anos. A tendência é que pessoas e empresas busquem investir em fontes alternativas que sejam limpas e renováveis, mais um ponto positivo para quem deseja investir na construção de uma casa sustentável.

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