A utilização da energia solar no agronegócio tem ganhado cada vez mais relevância, seja por conta da economia financeira ou como garantia do fornecimento elétrico e aumento da produtividade.

Isso porque a demanda pelo consumo de alimentos ao redor do mundo só aumenta. O Brasil é um importante player na agricultura, tanto para abastecimento do mercado interno, como para exportação.

Portanto, é preciso encontrar maneiras de expandir a produção e a irrigação com energia fotovoltaica, por exemplo, é uma aplicabilidade importante para alcançar esse objetivo. Neste post, vamos abordar as principais questões acerca do uso dessa tecnologia no agronegócio. Confira!

Como a energia solar é utilizada no agronegócio?

A agropecuária é um dos motores mais importantes da economia brasileira, devido aos nossos recursos naturais, condições climáticas favoráveis, território vasto, entre outros fatores. Afinal de contas, o Brasil é quinto maior país em tamanho, e a maior parte das terras está localizada em uma região tropical.

O setor agropecuário é um grande utilizador de energia elétrica, representando uma parte relevante das despesas produtivas. Além do mais, por conta da maioria das propriedades rurais estarem situadas em lugares distantes da infraestrutura urbana, por vezes o produtor rural sofre com a falta de atendimento ou serviço precário oferecido por parte da concessionária pública.

Isso impacta diretamente na qualidade da produção, pois não é incomum faltar energia nas fazendas. Por essas razões, diversos produtores acabam recorrendo aos geradores movidos a diesel.

Esse tipo de equipamento supre a necessidade do agronegócio por um lado, mas por outro apresenta alto custo e é uma fonte poluidora. Dentro desse cenário, a utilização da energia solar fotovoltaica aparece com grande destaque para solucionar o problema.

De acordo com informações da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), já são cerca de 4,7 milhões de consumidores de energia elétrica nas zonas rurais. Esse número contempla somente as propriedades com sistema on-grid, ou seja, conectados à rede da distribuidora.

Veja algumas formas de utilização da energia solar no agronegócio.

Bombeamento de água

É comum que as bombas para distribuição de água em zonas rurais, muito usadas para irrigação das plantações, para matar a sede do gado ou mesmo para consumo próprio, estejam situadas em lugares remotos.

Isso acaba dificultando a acessibilidade à rede elétrica e, por vezes, ao uso de um gerador a diesel.

As bombas que são alimentadas com energia solar aparecem como uma alternativa muito mais confiável do que os geradores, pois não há necessidade de reabastecimento e sua instalação também funciona sem conexão à rede.

Cerca elétrica para manejo do gado

Mais uma aplicabilidade da energia solar no campo é a eletrificação das cercas que manejam o gado. Esse tipo de uso não consome muita energia, portanto, é bem simples e fácil de instalar e requer poucos painéis fotovoltaicos para a função.

Produção leiteira

Quem cria gado voltado para a produção de leite costuma ficar na mão do instável sistema de eletricidade brasileiro. Em situações nas quais falta energia, as ordenhadeiras ficam sem funcionar, ocasionando possíveis mastites nas vacas.

Outro ponto relevante é relativo ao tanque de resfriamento, que pode estragar todo o leite dentro dele quando falta luz.

Por essas razões, ter um sistema fotovoltaico é uma das soluções mais eficientes para que a produção leiteira funcione sempre, evitando prejuízos e aumentando a produtividade.

Avicultura

A despesa que mais onera o orçamento dos avicultores de corte é justamente a energia elétrica. O Brasil tem grande destaque nesse segmento do agronegócio e otimizar a produção ao reduzir os custos com eletricidade representa um diferencial importante para o mercado.

Usar a energia solar é uma ótima escolha para diminuir os custos fixos, visto que o sistema fotovoltaico começa a gerar economia na conta de luz imediatamente após concluída sua instalação.

Secagem e armazenagem de grãos

Somos uma das nações que mais produzem grãos no mundo, tais como feijão, arroz, soja e trigo. Esses alimentos têm que passar por um procedimento para secá-los, garantindo mais durabilidade e segurança na armazenagem.

O processo de secagem costuma ser feito artificialmente, por meio de maquinário ou com ar quente. Para maior eficiência, pode-se utilizar secadores de grãos movidos à energia solar como fonte de calor. Dessa maneira, o ar das estufas fica aquecido e é levado à câmara de secagem.

Controle de estufas

Nem só para secar os grãos serve uma estufa solar. Isso porque alguns tipos de madeira, como é o caso do eucalipto, precisam enfrentar o procedimento de secagem antes de servirem como matéria-prima para confecção de móveis ou para aplicação em construções.

Um grande desafio da estufa solar é controlar o ar da secagem. Para tanto, a melhor opção é implantar um sistema mais sofisticado, que seca indiretamente os produtos na câmara, movimentando o ar quente com a ventilação alimentada pela energia solar fotovoltaica.

Qual o panorama do uso de energia solar no campo?

O campo tem usado cada vez mais a energia solar fotovoltaica em suas produções. Nos primeiros seis meses de 2019, a produção ficou em 32.963kWp, representando aproximadamente 86% de tudo o que foi gerado no ano anterior, de acordo com dados fornecidos pela ANEEL. A título de comparação, em 2015 o número ficava na casa dos 156 kWp.

A ampliação das instalações de sistemas fotovoltaicos no agronegócio é totalmente justificável e esperada, devido ao preço da tarifa energética no Brasil, que é considerada uma das mais altas do mundo.

Como a energia elétrica figura uma parte relevante do investimento produtivo, o corte de gastos que a energia solar proporciona faz com que o custo total da produção caia muito para quem trabalha no campo.

Para dar um panorama mais prático da representatividade do uso da energia solar em propriedades rurais, uma fazenda localizada no estado de Goiás, por exemplo, instalou um sistema fotovoltaico que a transformou em autossuficiente energeticamente.

Com seis usinas solares implantadas, com 50 kWp de potência cada, a economia gerada ao longo de 25 anos será de R$ 3.742.500. Ainda no mesmo estado, no município de Rio Verde, outra produção rural instalou 3 sistemas fotovoltaicos com potência de 277,95 kWp. O dinheiro poupado no mesmo período de tempo ficará em torno de R$ 3.907.500.

A tendência é que esse tipo de tecnologia siga ganhando mercado no Brasil e no mundo, pois a energia solar é limpa, infinita, sustentável e fácil de ser produzida, sem necessidade de uma grande infraestrutura.

Estamos falando de um modelo que desafia os antigos padrões, rompendo com o sistema tradicional, que deixa os consumidores “reféns” de custos e prestações de serviços inadequadas. A opção por produzir e consumir a própria energia limpa e barata é muito atrativa e eficaz.

Quais são os desafios encontrados?

Os sistemas fotovoltaicos são compostos por várias peças metálicas, como é o caso das molduras das placas, das estruturas de fixação dos painéis e dos condutores. Um surto de tensão na alimentação AC, por exemplo, pode queimar os inversores solares e outros equipamentos.

Quanto maior o dimensionamento da usina solar, mais alto é o risco dela receber descargas atmosféricas. O Brasil é líder mundial na incidência de raios. Para você ter uma ideia, são mais de 77,8 milhões descargas elétricas em território nacional todos os anos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Por isso, um grande desafio dos técnicos que trabalham na instalação de células solares é encontrar formas de melhorar o aterramento das estruturas. Assim, amplia-se a proteção contra as descargas elétricas.

Já existem uma prática sendo implantada para resolver essa questão, chamada “proteção em cascata”. Ela consiste na instalação de conjuntos de supressores de surto no quadro da subestação, para que os inversores e demais entradas de energia AC sejam atendidos.

Dessa maneira, a alimentação do sistema de comunicação fica protegida e os fornecedores de energia solar ganham mais qualidade de serviço. Em relação ao retorno do investimento nos supressores, é possível obtê-lo em duas semanas.

Outro desafio para a utilização da energia solar no agronegócio é levar a informação aos produtores rurais de pequeno porte. É fundamental disponibilizar conhecimento, educando os trabalhadores do campo de todos os tamanhos em relação aos benefícios dos sistemas fotovoltaicos.

Por que utilizar energia solar no agronegócio?

Existem diversos fatores que contribuem para a utilização da energia solar no agronegócio, sendo o mais atrativo a economia de recursos financeiros. Porém, não é só isso, visto que a sustentabilidade também é um grande diferencial competitivo para o produtor rural.

Apesar de haver um subsídio governamental aplicado às contas de luz no setor agropecuário, que ficam entre 10% e 30%, eles são instáveis, pois podem ser mudados a qualquer momento pelos poderes legislativo e executivo.

O impulsionamento da aplicabilidade do sistema de energia solar no campo também é embasado em momentos de crise hídrica no Brasil. Afinal de contas, quando as hidrelétricas não produzem eletricidade suficiente, por causa dos baixos índices de chuva, a conta de luz é sobretaxada.

Trata-se do sistema de bandeiras tarifárias, que cobra um sobrepreço na tarifa, variando de acordo com a gravidade da crise (bandeiras verde, amarela e vermelha).

Vejamos mais alguns motivos para utilizar a energia solar no agronegócio.

e-book gratuitoPowered by Rock Convert

Linhas de crédito subsidiadas e exclusivas 

É difícil um ramo econômico crescer sem que sejam criadas linhas de crédito subsidiadas pelo governo. No setor de energia solar, isso não é diferente, pois os empréstimos disponibilizados ao produtor rural para aquisição de sistemas fotovoltaicos permitem que as parcelas do financiamento sejam de igual ou menor valor do que a economia conquistada na conta de luz.

Para as propriedades rurais situadas na região nordeste, bem como no norte do estado de Minas Gerais e no Espírito Santo, existe a linha FNE Sol, conseguida por meio do Banco do Nordeste.

Esta é uma linha de crédito para compra de módulos solares com taxa de juros que começa em 5,65% ao ano. O prazo para pagamento é de até 12 anos e a carência para começar a pagar pode chegar a 12 meses.

Quem está enquadrado na categoria de agricultor familiar, pode optar pelo Pronaf Eco (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), desde que apresente uma Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) válida.

Para as cooperativas, uma oportunidade interessante é o Prodecoop (Programa de desenvolvimento cooperativo para agregação de valor à produção agropecuária), com taxa de juros prefixada em 7% ao ano para financiamentos de até R$ 150 milhões.

O prazo para pagamento é de até 10 anos e a carência para início das parcelas tem o teto de 3 anos. Estão habilitados para conseguir o Prodecoop as cooperativas singulares, as cooperativas centrais, os produtores rurais cooperados, as federações e confederações que atuam de maneira direta na produção de matérias-primas, na preparação e processo industrial produtivo.

Em relação aos impostos, são vários estados brasileiros que optaram por entrar no programa de redução de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), válido somente para produtores que geram sua própria energia.

Retorno do investimento

O ROI do investimento em energia solar no agronegócio gira em torno de 5 anos. Considerando que já existem sistemas fotovoltaicos operando por 40 anos, o proprietário usufruirá da economia energética por cerca de 35 anos.

Isso torna a rentabilidade do investimento mais atrativa do que muitas aplicações de renda fixa, por exemplo, ainda mais quando a taxa básica de juros (SELIC) encontra-se em patamares historicamente baixos.

Para produtores rurais que contam com mais de uma propriedade, ainda é possível dividir a energia solar entre elas, desde que a conexão seja on-grid, os locais sejam atendidos pela mesma concessionária e a fatura de luz tenha mesma titularidade, seja ela pessoa física ou jurídica.

Melhora da imagem institucional

As vantagens econômicas já ficaram bem claras, mas o uso de energia solar no agronegócio vai além disso. Adotar um sistema fotovoltaico no campo traz uma imagem positiva diante dos clientes.

Eles passarão a ver seu negócio como uma empresa preocupada com a sustentabilidade, além de ambientalmente responsável. É importante entender que consciência ambiental é um comportamento que está sendo disseminado dia a dia.

Estamos falando do marketing verde, um grande diferencial competitivo para ganhar relevância e aumentar sua participação em um mercado cada vez mais competitivo. Pode ter certeza que os consumidores ecologicamente conscientes serão atraídos pela sua marca.

Qual a perspectiva para os próximos anos?

Em junho de 2020, ao lançar o Plano Safra 2020/2021, a equipe do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) anunciou uma nova opção de linha de crédito, a Inovagro.

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) acredita que a utilização de sistemas fotovoltaicos no campo será impulsionada com esse tipo de financiamento.

Serão cerca de R$ 2 bilhões aplicados em projetos que levam inovação às propriedades rurais, representando um aumento de 33,3% se comparado ao período anterior. A Inovagro está disponível para todo produtor rural, independentemente do seu porte e localização, que queira instalar uma usina solar em sua propriedade.

Como já vimos, são diversas as vantagens que têm colocado cada vez mais os sistemas fotovoltaicos no radar de quem empreende no campo e esteja em busca de diferenciais competitivos para sua produção.

O lançamento do novo Plano Safra foi uma iniciativa fundamental para viabilizar recursos financeiros aos produtores rurais, facilitando o acesso à tecnologia.

O mercado de energia solar e o agronegócio são setores extremamente sinérgicos, pois a tecnologia fotovoltaica é muito versátil, podendo ser aplicada de diversas formas no campo, conforme citamos no início dessa leitura.

Portanto, quando o assunto é energia solar no campo, a perspectiva para os próximos anos é que ela seja cada vez mais incorporada aos processos produtivos da agricultura.

Como implementar energia solar no agronegócio?

Antes de mais nada, procure uma empresa que seja especializada em instalações de usinas solares. Isso porque somente profissionais devidamente capacitados saberão fazer a análise técnica correta para o dimensionamento das placas fotovoltaicas e a melhor posição do painel solar, entre outros pontos de atenção.

Em relação ao tipo de conexão do sistema fotovoltaico para a agricultura, existem três opções: on-grid (conectados à rede da concessionária pública), off-grid (sem conexão com a rede de distribuição) e on-grid com backup.

Saiba mais detalhes a respeito de cada alternativa.

Sistema fotovoltaico on-grid

Os sistemas on-grid são aqueles conectados à rede pública. Os principais equipamentos das usinas solares desse tipo são as placas solares e o inversor. Mas, também existem outras peças que integram todo o sistema, sustentando os módulos fotovoltaicos e demais itens.

A grande vantagem de ter um sistema com registro junto à distribuidora de energia local é ter a oportunidade de gerar os chamados créditos solares. Isso significa que o excedente de produção é injetado na rede da concessionária, retornando ao titular da propriedade na forma desses créditos.

Eles têm validade de 5 anos para serem descontados da conta de luz em meses nos quais a produção não atenda à demanda da produção agropecuária, desde que estejam em nome da mesma pessoa (física ou jurídica) e façam parte da área de atendimento da mesma concessionária.

Para conectar os sistemas fotovoltaicos on-grid à rede pública, é imprescindível contar com a instalação do inversor interativo. Ele serve para harmonizar e converter a produção energética das placas fotovoltaicas de corrente contínua (CC) para corrente alternada (CA).

Todas as vantagens dos sistemas on-grid podem ser usufruídos imediatamente quando o processo de instalação estiver devidamente concluído.

Sistema fotovoltaico off-grid

Essa é a melhor alternativa para produtores que usam os geradores movidos a diesel. Por não ser conectado à rede pública, ele necessita de alguns equipamentos diferenciados para ter autonomia e ser autossustentável, como o uso de baterias, por exemplo.

A diferença em relação ao sistema on-grid está na forma de armazenagem da energia que foi gerada. Aqui, quem guarda essa produção energética são as baterias, que asseguram o funcionamento do sistema off-grid até mesmo quando há baixa irradiação solar.

Então, quando a produção fica acima da demanda de uso, a eletricidade que sobra vai para o conjunto de baterias, sendo usada em dias de baixa geração energética. Para tanto, são as baterias que fazem a liberação dessa energia armazenada.

Levando em consideração que as baterias dos sistemas isolados são a única alternativa das produções rurais continuarem sendo abastecidas de eletricidade em dias de baixa geração, faz-se ainda mais importante o dimensionamento correto da usina solar.

É preciso que sejam analisadas as especificidades geográficas da área, tais como o comportamento climático. Isso porque algumas regiões têm índice pluviométrico maior, enquanto outras apresentam dias ensolarados na maior parte do ano.

A análise de viabilidade técnica é o momento de dimensionar a capacidade máxima ideal do conjunto de baterias, garantindo que o sistema off-grid não passará por nenhum tipo de interrupção de fornecimento, ou seja, que a propriedade rural tenha sempre luz disponível, evitando possíveis prejuízos ao empreendedor.

Sistema on-grid com backup

Uma forma do produtor rural ter um sistema conectado à rede, mas também estar seguro em relação às falhas no fornecimento por parte da concessionária, é adicionar um conjunto de baterias ao sistema on-grid.

Portanto, podemos dizer que o sistema on-grid com backup é uma mistura no on-grid e do off-grid. Então, em caso de falta de energia, o banco de baterias passa a ser o fornecedor de eletricidade. Vale ressaltar que o dimensionamento dessas baterias para backup do sistema on-grid pode ser bem menos do que dos sistemas off-grid.

A geração e disponibilidade de energia limpa, além de ser um direito de todo produtor rural, é também uma oportunidade muito interessante para o agronegócio. A energia solar é um benefício a ser usufruído para sempre, por conta de todas suas vantagens competitivas.

Não é a toa que ela é chamada de energia do futuro, levando eletricidade aos locais mais remotos, onde só é viável o cultivo com irrigação. Sempre existem áreas disponíveis para serem usadas no agronegócio, desde que a energia não seja um fator limitante. É nesse cenário que os sistemas fotovoltaicos têm grande importância e muito espaço para crescimento.

Você só tem a ganhar com a energia solar no agronegócio, ainda mais na Solarprime, a maior rede de franquias do Brasil no setor. Entre em contato conosco e saiba como!

Comments

comments